DIÁRIO DE BORDO: DIA 25
- 8 de set. de 2016
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47. “O que fazemos na vida, ecoa na eternidade” - Gladiador.
Sempre pensei que nós somos resultado das ações que fazemos ao longo da vida, que somos o conjunto das pessoas que conhecemos, dos erros que cometemos, da alegria compartilhada, dos momentos de aprendizado e que, devemos viver uma vida que valha a pena ser lembrada, porque inevitavelmente seremos apenas uma lembrança em um certo ponto. E pensar assim, sempre me deu coceiras no estômago, porque, se eu sou responsável pela minha vida, isso me torna automaticamente responsável por como serei lembrada um dia, o que é uma responsabilidade gigantesca.
Esses dias li 1984 de George Orwel, e pra ser bem sincera, esse livro me deixou com cólicas, por dias, primeiro porque as referências que Matrix, Equilibrium e V de Vingança (três dos meus filmes prediletos) tiraram de lá são não somente nítidas, mas gritantes! Segundo porque este é um livro que te faz pensar na sua vida, sabe?!
Te faz indagar, quem é você em relação ao mundo, onde você se encontra com ser humano, o que você pode fazer para mudar, se é que se pode fazer alguma coisa, e o mais importante, o que te diferencia do resto do mundo, e o porquê a diferença social entre as pessoas é tão gigante.
E em meio a essas perguntas, uma outra ficou pulsando na minha cabeça por dias a fio.
"O que é que eu tô fazendo da minha vida?!"
Eu pego o trem às 4h50 da manhã, faço uma viagem de 2h30 até o trabalho todos os dias, e às 18h volto ao mesmo percurso. Vejo as mesmas pessoas, fazerem as mesmas coisas e brigarem incessantemente para competir o mesmo assento no trem lotado. Eu gosto do meu trabalho, gosto mesmo, mas a rotina e a certeza de fazer parte desse sistema, tão mecanicamente me deixa triste.
Já me peguei disputando uma vaga no banco algumas vezes, o sentimento não é dos melhores.
Veja bem, quero fazer parte de alguma coisa que gere resultados tão surpreendentes que eu sinta que faço alguma diferença no mundo, e não preciso que isso carregue meu nome, só quero saber que eu fiz alguma diferença, isso me basta.
Alguns chamariam isso de ambição, alguns chamariam de utopia, eu prefiro chamar isso de pura vontade.
Sei que continuarei fazendo parte desse sistema, mas minha vida terá um propósito, um mecanismo de motivação muito maior se eu souber que tenho a chance de fazer a vida de alguém mais bonita.
É a como a busca de Morfeu pelo escolhido, sua vida teve mais sentido depois de encontrar Neo, porque esse era seu objetivo, ajudar Neo a cumprir sua missão, ou de V quando encontrou Eve, ele pode compartilhar com ela o que sabia ao mesmo tempo em que aprendeu com ela. É uma questão de pertencer, compartilhar, sentir, ser.
Eu sei que isso é bem pessoal, mas de qualquer forma não deixa de ser uma justificativa.
Quero dedicar 110% de mim em fazer o melhor trabalho e gerar os melhores resultados e seja lá onde eu estiver, quero ser lembrada um dia como uma pessoa que não desistiu facilmente de seus objetivos e que encarava tudo como uma nova aventura.
E não quero dizer que a Netflix é o fim ou objetivo dessa minha busca, mas é definitivamente, um começo. <3
Que hoje seja um dia dedicado às pessoas que se percebem e que se transformam <3


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