DIÁRIO DE BORDO: DIA 5
- 16 de ago. de 2016
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21. Com meros 7 anos eu já era uma comerciante nata. Desenhava marca-páginas do Piu-piu e do Taz Mania com ajuda da minha mãe e os vendia na sala de aula no horário de almoço. Aumentei minha coleção de brinquedos do Kinder Ovo assim. Quase um prodígio.
22. Aos 10 anos de idade eu não tinha nada além de cabelo. Tão magra que se o vento estivesse muito forte, tinha que achar um lugar para me abrigar. Levantava às 5h da manhã todo os dias durante minhas férias, andava uma distância de 30 minutos sozinha para atender os marreteiros que compravam sorvete da sorveteria do meu tio. Fazia porque gostava. Me deixava feliz saber que poderia comprar doces, brinquedos e até um presentinho para minha irmã mais nova. Nunca tive preguiça de trabalhar.
23. Aos 12 eu trabalhava na fábrica de sorvete. Devido ao calor extremo, tínhamos que trabalhar durante a madrugada. Entrávamos às 22h e saíamos às 6h da manhã. Era absurdamente cansativo, e nessa época eu ainda trabalhava e estudava. Nunca reclamei, nenhum outro lugar me daria a oportunidade de ganhar um dinheirinho que me possibilitasse comprar minhas próprias roupas, eu era muito nova.
24. Aos 14 consegui meu primeiro emprego sério. Recepcionista de uma escolinha de informática. Trabalhei lá apenas 3 meses, mas aprendi muita coisa. Aos 15 fui recepcionista de uma escola de música e aos 16 entrei na videolocadora. Fui feliz por todo o tempo em que trabalhei lá.
25. Aos 17 tivemos alguns problemas financeiros em casa e eu fui a principal fonte de renda por longos anos a partir daí. O salário não era alto, mas demos um jeito. Contra todas as probabilidades eu consegui entrar na Universidade e consegui fazer um curso de inglês (era um de meus sonhos). Na época eu acordava às 5h e dormia à 1h praticamente todo dia.
Eu sei que não sou a única e que essa mesma história se repete todos os anos pelo Brasil a fora. Mas cada uma dessas experiências me ensinaram muita coisa, e entre elas, me ensinaram que persistência e continuar sonhando são coisas muito importantes na vida da gente. E é difícil continuar sonhando quando a vida de 4 pessoas dependem totalmente de você e você têm apenas 17 anos. Mas eu continuei, e mesmo hoje, depois que as coisas se ajeitaram, eu continuo sonhando. E meu maior sonho agora, é conseguir uma oportunidade para mostrar a vocês que eu sou uma profissional experiente e extremamente competente.
Mas se ainda não convenci vocês, não têm problema!
Temos mais 300 e alguns dias pela frente!
Ahoy marujos!


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